Arqueira indígena conquista vaga inédita para os Jogos Pan-Americanos e mundial de tiro com arco

Foi nas brincadeiras de criança, à beira do Rio Cuieiras, que Graziela Paulino teve seu primeiro contato com o arco e a flecha – feitos pelo pai.

A familiaridade com o equipamento ajudou a jovem ribeirinha, que aos 17 anos, atendeu ao chamamento na escola para participar de uma seletiva do Projeto de Arquearia Indígena no Amazonas, da Fundação Amazonas Sustentável, que em parceira com os governos federal e estadual e a federação da modalidade selecionam atletas para a prática do esporte.

Entre mais de 80 candidatos, Graziela foi a única mulher entre os 12 atletas selecionados para participar do programa.

Saiu da comunidade, entre Novo Airão e Manaus e foi morar na capital, em 2014. Nestes cinco anos, coleciona bons resultados, como destaca o treinador do projeto Anibol Forte.

Neta de indígenas do povo Karapanã, Graziela adotou o nome Yaci – que na língua do seu povo significa Lua. Relata que o esporte a tornou mais responsável. Virou flecha, e voou pelo mundo dando tiro com arco.

Atualmente, Graziela Paulino está em Maricá, no Rio de Janeiro, treinando com o resto da equipe.

A única atleta da região norte, lembra que no estado de origem a rotina de treinos é reduzida porque não há espaço específico para o Tiro com Arco e os treinos ocorrem na pista de atletismo.

A arqueira está otimista com a possibilidade de uma medalha nos Jogos Pan-Americanos 2019, em Lima, no Peru, em julho. Um mês antes, a disputa no mundial pode assegurar à atleta uma vaga nos Jogos Olímpicos de Tokyo 2020.