Professora ensina braile na rede municipal de Cabo Frio

Heloísa de Araújo Santos atende alunos com cegueira e oferece treinamento para auxiliares de classe

A professora de Língua Portuguesa com especialização em Braile, também portadora de deficiência visual, Heloísa de Araújo Santos, é um belo exemplo de superação e dedicação ao processo de ensino-aprendizagem. Ela oferece novas possibilidades aos alunos com cegueira e treinamento a outros profissionais.

Heloísa atua na Sala de Recursos Multifuncionais (SRM’s) na Escola Municipal São Cristóvão, onde ensina gramática por meio do braile aos quatro estudantes com cegueira da rede municipal. A professora realiza também treinamento, a cada 15 dias, para auxiliares de classes da rede aprimorarem a didática em sala de aula.

“Os alunos já têm noção do braile e o nosso objetivo é treinar com eles a escrita e a leitura, exercitando, assim, a gramática. Queremos que eles saibam escrever bem e transmitam a mensagem de maneira correta, dando autonomia aos estudantes”, contou a professora.

Já o trabalho com os auxiliares de classe é para ensinar noções básicas do sistema de leitura dos deficientes visuais. “O que percebo é um interesse muito grande desses profissionais em aprender o braile. Sabemos que essa aprendizagem impacta diretamente no trabalho deles em sala de aula e no atendimento aos alunos que precisam de acompanhamento. Queremos que no próximo ano, as formações se estendam também aos professores”, disse.

Os quatro alunos com cegueira atendidos pela rede municipal estão inseridos nas escolas de ensino regular com suporte pedagógico complementar do SRM’s. O apoio é dado a todos os estudantes que possuam quaisquer deficiências e/ ou transtornos globais. Atualmente a rede municipal possui 27 salas de recursos em escolas polo.

A importância do braile

O braile, sistema de leitura que utiliza o tato, permite que os deficientes visuais possam conquistar seu espaço na sociedade, no mercado de trabalho e adquirir independência. O método possui 64 símbolos baseados em relevos e combinações, fazendo a representação de letras, números e até sinais de pontuação.

O Brasil foi um dos primeiros países a adotar o sistema, com o Instituto dos Meninos Cegos, em 1854 (hoje Instituto Benjamin Constant, principal instituto com obras em Braile no país). Com braile, a cultura, a informação e o conhecimento se tornam acessíveis a todos, proporcionando a inclusão.