Chico Tabibuia - Um artista de nossa gente

No ano de 2007 o Jornal Tamoios e a TV Tamoios idealizaram uma grande exposição, em Tamoios e resolveram homenagiar nosso maior artista, Chico Tabibuia. Para isto realizou uma entrevista com Tabibuia, realizada por Carlos Cabral e Bibi Fernandes.

Foi muito complicado. Chico se negava a dar entrevistas, devido a grande exploração que foi submetido em toda sua vida, pois apesar de um número enorme de obras e de livro sobre sua vida e obra, ele se encontrava na miséria total.

Depois de muitas conversas, finalmente Chico Tabibuia aceitou dar a entrevista e comparecer a homenagem.

A entrevista foi gravada uma semana antes de sua morte, ocorrida a 13 de maio de 2007. Na homenagem não pode comparecer, pois já estava morto.

Nascido no município de Silva Jardim, na fazenda Maratuã, Aldeia Velha, Chico Tabibuia só foi registrado pelo juiz de Casimiro de Abreu quando tinha 36 anos de idade, juntamente com sua mãe.

Com dez anos de idade Chico esculpiu seu primeiro “boneco”, já dotado de pênis. Aos 11 anos foi guia de cegos, aos 12 foi trabalhar no mato, retirando lenha. Fez uma casa de farinha para a mãe, a fim de poderem colher mandioca para fazer pão, além de angu de banana, inhame e sardinha assada.

Após outras errâncias e tentativas de trabalho ali mesmo na região, Chico resolveu trabalhar sozinho, ‘tirando Tabibuia” por muito tempo, herdando o apelido dessa árvore, cuja madeira é usada em tamancos e lápis.

Por volta do ano de 1970 voltou a esculpir, com 40 anos de idade. Além das esculturas fez móveis rústicos para as cidades da região, mas, como não conseguia receber o pagamento devido, estava a ponto de desistir quando o seu encontro com Paulo Pardal, que também tinha casa em Barra de São João, veio infundir novo ânimo no artista.

Paulo se tornou seu principal colecionador e divulgador. Chico frequentou um terreiro de macumba, onde exerceu a função de ‘cambono”, dos 13 aos 17 anos de idade, levado pela mãe. Nesse culto a maior das entidades que baixavam eram exus, em dezenas de modalidades. Desses mesmos exus que ele, a partir de 1986, já na condição de membro da Assembléia de Deus, viria a representar com grande frequência, embora não exclusivamente.

Frederico Moraes reparou na “criatividade em nível elevado de Tabibuia, que traz um elemento erótico – não pornográfico – que é forte no conjunto da arte brasileira”, bem como na monumentalidade de muitas de suas esculturas.

Tabibuia construiu uma obra importante no quadro das artes visuais brasileiras, com uma marca pessoal inconfundível, que, ao remeter uma fonte afro, transcende-a, exprimindo a força do eros na dualidade masculino/feminino – talvez a mais antiga e profunda na história da humanidade. A partir de 1981, participou de mais de 20 exposições coletivas e dez por todo o Brasil, bem como de mostras antológicas no exterior. Sua obra consta dos principais museus de arte popular do país.