EDITORIAL - Carlos Cabral

Carlos Cabral é fundador e proprietário do Jornal Tamoios e da TV Tamoios, primeiros órgãos, em suas respectivas mídias, de Tamoios.

 

Aonde anda o quarto poder? Por que caminhamos sozinhos?

15/05/2018 -O "quarto poder" é uma expressão utilizada com conotação positiva de que a Mídia (meios de comunicação de massa) exerce tanto poder e influência em relação à sociedade quanto os Três Poderes Democrático (Legislativo, Executivo e Judiciário). A intenção de ilustrar a Mídia como Quarto Poder demonstra que, na civilização moderna, a Imprensa tem servido de "Cão de Guarda", para a sociedade. A Imprensa acaba analisando, denunciando, investigando e levando a conhecimento do público, atos ilegais e ilícitos, corruptos e incorretos, em diversos setores, principalmente no setor Político.

Mas, hoje, este quarto poder existe realmente em nosso país ou também está corrompido?

A ideia de quarto poder surgiu a partir de meados do século 19 como recurso no meio de sociedades democráticas, um órgão responsável por fiscalizar os abusos dos três poderes originais. Esse poder, representado pela imprensa, teria como dever denunciar violações dos direitos nos regimes democráticos.

Por muitos anos, o quarto poder recebeu o título de “voz dos sem vozes” e seus representantes sofreram grandes retaliações por diversos segmentos, o que não impediu que se mantivesse como forte contrapeso na balança social com os demais poderes. A mídia, com suas ferramentas de alcance e representatividade, seria “os olhos e ouvidos” da humanidade, a vontade e opinião do povo. Inclusive, as informações produzidas/veiculadas pelo quarto poder são o meio pelo qual a opinião pública se expressa.

Mas como tem se comportado este quarto poder atualmente no Brasil? Ele realmente tem se comportado, desempenhando esta missão?

No meu modo de ver, o quarto poder tem cada vez mais se distanciado dessa missão. Só como exemplo o supremo Tribunal de justiça, principalmente na figura do juiz Gilmar Mendes se utiliza de um verborragia, de um palavreado altamente tácnico/jurídico para explicar algo que não tem explicação. Aonde estão os comentaristas jornalisticos para traduzir tudo isto, para fazer com que a sociedade entenda este discurso tolo e vazio?

Primeiramente para existir uma manisfestação popular, a sociedade tem que entender o que está acontecendo. Sem este entendimento não existe a possibilidade de manifestação.

Então eu vejo atualmente, em nosso país, uma população desanimada, sem expressar sua opinião, sem saber o por que fazê-lo e se alcançaria um resultado esperado.

Porém vocês poderiam me questionar que há pouco tempo mil manifestações surgiram, em relação a Dilma. Mas se formos analisar, a origem dessas manifestações foi comandada pela classe política, pela teoria do "quanto pior, melhor"...

Custa acreditar que a imprensa pouco se manifestou com análises sobre as acusações contra o Presidente da República. E não foi uma simples acusação. Foram várias e todas com provas muito bem substanciadas.

Mas uma vez cito nosso juiz do STF, Gilmar Mendes que declarou aos quatro ventos que era um enorme absurdo que o ex-governador Sérgio Cabral fosse algemado nas mãos e nos pés. Por que a imprensa não analisou que o absurdo é um político eleito pelo povo posso ser tão bandido, tão canalha, que possa ter roubado tanto...

Em que realidade nossa imprensa se situa? Está tão corrompida quanta a classe política e judiciária? Por este motivo não pode se manifestar, assumindo o papel de quarto poder?

Os únicos comentários nas mídias são praticamente simbólicos, sem nunca irem no cerne da questão. Se por exemplo facalizam uma violência, comentam que o Rio de Janeiro está com um alto grau de violência, que a população não aguenta mais, etc, etc... Nunca analisam o por que desta insegurança. Nunca comentam a falta de preparo do exército e que mesmo assim assumiu a segurança pública. Nunca analisam a falta de investimento nas atividades policiais. Nunca buscam uma conclusão sobre tantas mortes de policiais e o porque do aumento exponencial da violência, etc, etc... Preferem ficar nos cosméticos e nunca na raiz profunda das questões.

Parece-me que o quarto poder brasileiro está participando de toda sujeira dos três poderes democráticos. Parece-me que toda ou qualquer forma de poder deste país está totalmente contaminada. A única pergunta que martela a minha cabeça todo o tempo é: Por que estamos caminhando tão sozinhos? Por que?

 

 

 

 

 

 


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