Projetos preparam cidades para envelhecimento da população

05/01/2020 - Várias iniciativas tentam preparar as cidades para a mudança no perfil demográfico do país com o envelhecimento da população. Em audiência pública da Comissão de Defesa dos Direitos da Pessoa Idosa, especialistas relataram como enfrentar esta nova realidade.

Cristiane Gattaz, professora brasileira da Universidade do Texas, mostrou um projeto de gestão pública que já rendeu 15 ações em 45 cidades, justamente para fazer um diagnóstico desta preparação para a longevidade.

Henrique Noya, representante do Instituto de Longevidade Mongeral Aegon, apresentou uma parceria com a Fundação Getúlio Vargas que criou o IDL, Índice de Desenvolvimento Urbano para a Longevidade. Em 2020, a ideia é que 876 municípios utilizem a ferramenta para analisar 7 variáveis e 63 indicadores, em áreas como habitação e cultura. Henrique Noya deu um exemplo da aplicação prática do IDL pelo gestor público, que pode comparar o desempenho da sua cidade com o das outras.

“Ele escolheu ali, vamos supor, indicadores gerais. Ele vai ver ali, por exemplo, que tem um problema – violência no trânsito. Ele reúne sua equipe e vai dizer: ‘Olha o que está acontecendo, por que que a gente está tão mal, somos a número 138’. E a partir daí, trabalhar num projeto que vá atender aquela questão ali de uma maneira muito objetiva”

Para Luciana Barbosa, do Departamento de Atenção ao Idoso do Ministério da Cidadania, remover barreiras no espaço urbano e promover acessibilidade é uma questão de cidadania. Durante a audiência pública, ela afirmou que já existem muitas leis que preveem melhores condições para a locomoção dos idosos, mas elas precisam ser implementadas. Além da acessibilidade, ela levou para o debate o conceito de “caminhabilidade”.

“Na perspectiva da caminhabilidade, a calçada é vista não só como uma área de transição, que eu vou e volto para poder realizar as atividades do dia a dia; como também um espaço para permanência, convívio, troca, integração espacial e social”.

Simone Fontenelle, presidente do Conselho Municipal dos Direitos da Pessoa Idosa de Palmas, capital do Tocantins, ressaltou a importância de se destinar mais orçamento para enfrentar o aumento da população idosa. E acrescentou que a própria população pode colaborar financeiramente com os projetos.

“Os fundos municipais, fundos estaduais e o fundo nacional, eles são primordiais para a efetividade das políticas públicas e, consequentemente, a sua execução. Essas doações, elas são dedutíveis do Imposto de Renda, com retorno para a sociedade e para o contribuinte”.

Para a deputada Dulce Miranda, do MDB do Tocantins, que propôs a discussão sobre acessibilidade e mobilidade em relação aos idosos, é preciso que as políticas públicas beneficiem não só as metrópoles brasileiras, mas também as pequenas cidades.