Escola Agrícola Nilo Batista participou da 6ª Olimpíada Estadual de Filosofia do Rio de Janeiro

Com o tema “Outras Vozes”, o evento reuniu 30 escolas, 600 estudantes e 50 universitários

25/09/2018 - A Escola Agrícola Municipal Nilo Batista participou, no último final de semana, da 6ª Olimpíada Estadual de Filosofia do Rio de Janeiro, com o tema “Outras Vozes”. O evento foi realizado na sede da Universidade Federal Fluminense (UFF) de Volta Redonda (RJ) na sexta (21) e no sábado (22). A unidade foi a única escola da Região dos Lagos que participou do encontro, levando 17 alunos do Ensino Médio e quatro professores (Filosofia, História, Literatura e Geografia).

Com uma tradição de intervenção em eventos acadêmicos como esses, a Nilo Batista já participou de olimpíadas de outras disciplinas esse ano, como História, e esta é a sua terceira edição na de Filosofia. O evento reuniu 30 escolas do Estado, incluindo Pedro II, IFF, NAVE, SESC, entre outras, públicas e privadas. Participaram 600 estudantes e 50 universitários, além de professores.

Foram dois dias intensos de atividades em diferentes espaços, como ruas e praças, com intervenções de diversos segmentos sociais. Oficinas, roda de conversas, palestras, apresentações dos alunos, vivências na cidade, festival de curtas, roda de jongo, entre outras ações fizeram parte das programações. As Olimpíadas de Filosofia não são competitivas, mas integrativas e têm o propósito de provocar reflexões e experiências que ampliem e enriqueçam o universo cultural e acadêmico dos estudantes, assim como o olhar para o mundo e as diferentes realidades que o formam.

Diversas atividades provocativas foram promovidas, com a intenção de voltar a escuta para as vozes comumente não ouvidas, com a participação de diferentes personalidades representativas desses grupos. Uma delas foi o depoimento de um metalúrgico da cidade que participou da greve de 1988 na Companhia de Siderúrgica Nacional, movimento que marcou a história dos trabalhadores do país. Os alunos visitaram um monumento que homenageia os três metalúrgicos assassinados durante a greve, responsável pela conquista de diversas pautas trabalhistas reivindicadas pelo movimento.

“São alunos que gostam de discutir, debater, são curiosos e especulativos. É um momento interessante porque eles trocam ideias com pessoas de outras culturas e realidades do Estado. É um evento bem rico e como aconteceu na UFF, eles conhecem a Universidade e ficam encantados com o espaço, com esse mundo todo que se abre para eles e tudo isso amplia as perspectivas”, afirmou Caroline Moraes, professora de Português e Literatura da escola, que além de ter acompanhado os alunos, também já participou da organização de uma das edições do encontro. “Nossos alunos fizeram diversas intervenções e uma delas, a do Gabriel, abordou o empoderamento feminino, como os homens se veem no movimento feminista, como podem participar e colaborar nesta luta, que é das mulheres”, completou.

“A olimpíada de filosofia é um evento fundamental na medida em que há um protagonismo real dos estudantes. Eles refletem sobre si mesmos e sobre os outros a partir do diálogo, da leitura sobre diferentes realidades espaciais e sociais possibilitadas por esse potente encontro itinerante. Superam a si mesmos e reconhecem semelhanças e diferenças, alargando suas experiências. O papel do professor é fomentar ainda mais a reflexão a partir desta convivência”, afirmou o docente de Filosofia da unidade, Walter Ramundo.

A aluna Luiza Jandira, 18 anos, cursando o 3° ano do Ensino Médio da Escola Nilo Batista e bolsista da Fundação de Amparo à Pesquisa do Estado do Rio de Janeiro (FAPERJ), disse que o momento foi de aprendizado multidisciplinar, incluindo temas como ética e sociedade. “Foram tratados muitos assuntos sobre preconceitos, como racismo, homofobia, machismo, xenofobia, entre outros. Nós aprendemos a lidar com as diferenças, porque lá tinha religiões, culturas e pensamentos diferentes. E, acima de tudo, aprendemos a respeitar esses pensamentos porque estávamos prontos para ouvir e falar”.

Luíza ressaltou os novos aprendizados que adquiriu nas Olimpíadas, que falou das mulheres filósofas da História, desde a Grécia Antiga, não apresentadas nos livros didáticos. “Conheci filósofas que, por conta do machismo, foram silenciadas, são as Outras Vozes. Elas não são muito faladas nas escolas. É uma experiência que eu vou levar para a minha vida. Acima de tudo, o respeito“, finalizou a aluna.

As Olimpíadas foram organizadas por professores, e nesta etapa, contou com o apoio dos seguintes segmentos: UFF, Memorial Zumbi, Instituto de Educação Prof. Manuel Marinho, Secretarias de Cultura e Esporte e Lazer de Volta Redonda, FEVRE e artistas da cidade. A previsão é de que a sétima edição aconteça na Ilha de Paquetá (RJ).