Jornal Tamoios
Cabo Frio, Tamoios,

2 mil brasileiros serão selecionados para teste de vacina contra covid-19

No Brasil, o estudo é conduzido pela Universidade Federal de São Paulo (Unifesp)

23/06/2020 - O Grupo Fleury divulgou, ontem, que começará a seleção de dois mil brasileiros para participar da terceira fase de testes da vacina contra o coronavírus desenvolvida pela Universidade de Oxford, da Inglaterra. Com os brasileiros, serão no total cerca de 50 mil voluntários em todo o mundo. O estudo é conduzido no país pela Universidade Federal de São Paulo (Unifesp).

Os brasileiros serão divididos em dois grupos: um tomará a vacina e o outro será testado com a vacina-controle MenACWY, também conhecida como vacina meningocócica conjugada. Para saber a eficácia da vacina, os pesquisadores vão comparar os dois grupos: o percentual de pessoas vacinadas que não desenvolveu a doença e a proporção de indivíduos testados com a vacina-controle que acabou infectada.

Vacina de Oxford
Essa vacina é produzida a partir de uma versão enfraquecida do vírus do resfriado comum, o adenovírus. No entanto, esse vírus foi editado e contem material genético do novo coronavírus, a proteína Spike, localizada em sua membrana. Isso significa que o vírus modificado carrega um identificador da COVID-19. Por isso, depois da vacinação, o organismo é estimulado a desenvolver anticorpos eficazes contra o próprio coronavírus.

Em abril, a vacina de Oxford passou pela primeira fase de testes, que incluiu um grupo de mais de mil pessoas entre 18 e 55 anos, no Reino Unido. Agora, na terceira etapa, serão pelo menos 50 mil testados. Entre os brasileiros, a maioria dos selecionados será de profissionais que atuam, diretamente, na área de saúde, entre 18 e 55 anos, independente do sexo.

Os selecionados serão divididos em dois grupos: um tomará a vacina e o outro receberá a vacina-controle MenACWY, também conhecida como vacina meningocócica conjugada - usada para imunização contra a meningite e a sepse, mas, nessa pesquisa, funcionará como um placebo. Depois de um intervalo de exposição, potencial, ao coronavírus, os dois grupos serão comparados.

Se o percentual de pessoas vacinadas que não desenvolveu a doença, for maior que o outro grupo, ela estará aprovada. Além disso, será importante avaliar a proporção de indivíduos testados com a vacina-controle que acabou infectada pelo coronavírus. "Se o primeiro time, o das pessoas testadas com a vacina, tiver um percentual superior de imunidade em comparação àqueles que tomaram a vacina-controle, a conclusão é a eficácia da vacina", explica o Celso Granato, infectologista e diretor clínico do Grupo Fleury.

"Tudo indica, infelizmente, que o Brasil ainda está em uma curva ascendente de contágio. Nesse contexto, a realização de estudos de testes de vacina se torna vantajosa, uma vez que grande parte da população ainda não desenvolveu imunidade contra o novo coronavírus", completa.

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