Professores do Curso de Formação em Geologia identificam riquezas naturais e culturais da região

Capacitação foi oferecida pela Secretaria de Educação em parceria com a UFRJ

28/09/2018 - O Curso de Formação em Geologia Geral, oferecido pela Secretaria Municipal de Educação (Seme) em parceria com a Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ), foi concluído na quinta-feira (27), com a realização de aulas de campo em cenários estratégicos, como Morro da Guia, Boca da Barra, Dunas do Peró e Mangue de Pedra, em Búzios. Os locais foram selecionados pela relevância geológica, que explicam a formação de vários ecossistemas da região.

A capacitação teórica teve duração de dois dias e aconteceu na Sala Verde Mico-leão-dourado, anexa à Secretaria de Educação, numa parceria com a Coordenação de Formação Continuada da pasta. Além disso, teve um de estudo de campo, com a participação de 14 professores de dez escolas da rede municipal de ensino e dois do Estado, sendo 90% de professores formados em Geografia. Os docentes foram orientados pelas professoras de Geologia da UFRJ, Cícera Neysi de Almeida e Kátia leite Mansur, diretora do Museu da Geodiversidade e membro da coordenação do Projeto Caminhos de Darwin, que atende a Escola Municipal Agrícola Nilo Batista.

Segundo a professora de Biologia, Coordenadora de Educação Ambiental e responsável pela Sala Verde Mico-leão-dourado, Krystina Célia da Silva Correia, o estudo da biodiversidade é fundamental em uma região com tantas riquezas naturais. “Ontem visitamos pontos de alta relevância geológica que só tem aqui. Vimos a importância do aquífero que tem embaixo das rochas porosas, que guardam a quantidade de água necessária. Vimos a importância da permanência daquele ecossistema, porque se vem alguém e coloca um condomínio ali em cima, toda a dinâmica desse ambiente das Dunas será perdida. Também tivemos contato com formações vulcânicas e, na região da Boca da Barra, com rochas de dois bilhões de anos. No Parque das Dunas do Peró, observamos formações recentes de minerais”, contou a professora.

Também foram observados muitos sambaquis na região (imensas montanhas erguidas na pré-história pelos povos que habitaram o litoral brasileiro). “No Morro da Guia temos muitas conchas, rochas rachadas, com evidências de que ali existiu uma comunidade que amolava facas, que se alimentavam lá”, observou a coordenadora. O curso de formação impacta diretamente no ensino dos alunos já que, com os novos conhecimentos adquiridos, os educadores podem compartilhá-los com os estudantes e desenvolver novos projetos de pesquisa na rede, assim como trabalhar pela preservação das riquezas naturais, culturais e históricas da região.

O Curso de Geologia surgiu da necessidade de formação para a pesquisa dos jovens talentos dos Caminhos de Darwin (UFRJ), alunos pesquisadores da Nilo Batista e bolsistas de pré-iniciação científica da Fundação de Amparo à Pesquisa do Estado do Rio de Janeiro (FAPERJ). Os estudantes fazem coleta de material biótico e abiótico, como insetos, plantas e minerais, seguindo os mesmos caminhos de Charles Darwin. A pesquisa inclui visitações aos quilombos da região, a fim de entrevistar os membros mais velhos, resgatando culturas e conhecendo os saberes ancestrais desses povos, como por exemplo, o uso de plantas medicinais presentes na natureza do entorno das comunidades quilombolas.