Jornal Tamoios
Cabo Frio, Tamoios,

Entrevista com a jornalista Thaiany Pieroni

1- Sabemos que a grande maioria dos habitantes de Tamoios veio de outras regiões do Estado do Rio de Janeiro. Como sua família e você conheceram e chegaram a Tamoios?

Assim como a maioria das pessoas que moram em Tamoios, minha família é do Rio de Janeiro. Eles resolveram vir para a região, buscando um pouco de tranquilidade, por causa do aumento da violência do Rio. Meu pai já conhecia a região por mais de 30 anos e meu avô morou aqui e meu pai morou com ele durante um tempo. Quando meu avô faleceu, ele voltou para o Rio e quando eu fiz nove anos ele resolveu voltar. Eu praticamente me considero tamoiense porque com nove anos, acredito que já era a idade que comecei a entender o mundo, eu já estava aqui. Então eu cresci e tudo que aprendi foi aqui.

2- Qual era sua visão na época sobre nossa cidade? E como acompanhou o crescimento? Sua visão de mundo foi alterada?

Com nove anos tudo era lindo. Quando eu cheguei aos meus quinze anos já comecei a ter uma visão diferenciada, fui vendo que apesar de ser um lugar muito bom, agente não tinha políticas públicas que cuidasse da população. Foi nesse momento que eu comecei a me envolver com o jornalismo. Infelizmente hoje, a mais de 10 anos, o problema continua o mesmo. Tamoios cresceu muito e continua sem políticas públicas, um governo que não olha para o segundo distrito. Hoje eu percebo isso ainda mais. Não só pela experiência, pois com o passar dos anos a gente vai tendo mais ciência das coisas. Como Tamoios cresceu muito, precisando de mais coisas, continua sem respostas do poder público. No tempo que precisamos de mais, nós temos menos, isso se torna muito complicado.

3- Parece-me que por causa da ocupação dos mais variados segmentos populacionais, com culturas as mais diversas possíveis, nos causou perda de identidade, ou melhor dizendo, fomos prejudicados na formação de uma identidade facilmente reconhecível. Qual a sua opinião em relação à formação de uma identidade tamoiense? Ela existe? Qual seria?

Acredito que a identidade tamoiense significa um povo que não cansa de lutar. E ao mesmo tempo se mostrar presente, que está aí. Existe aquela briga dizendo, vocês são cabo-frienses, só que não conseguimos ter um pertencimento com a cidade porque não conseguimos chegar ao centro de ônibus, de forma fácil, por isso buscamos os outros municípios muitas das vezes para resolver problemas, ou trabalhar. O termo identidade tamoiense é uma forma para mostrar, de expressar que ainda acreditamos que iremos ter uma autonomia, que vamos mudar esta história. Acredito que representa isso, apesar de não termos uma cultura própria, porque recebemos gente de todos os lugares, com vários pensamentos. Acredito que o nome tamoiense representa esta luta.

4- Por não apresentarmos destaque em relação à economia ou ao turismo, como o primeiro distrito de Cabo Frio, muitas das vezes temos sido abandonados pela política municipal. Hoje já conseguimos mudar este cenário?

Somos abandonados pela política desde sempre. Infelizmente este cenário continua. Acreditávamos que iria mudar, com correção, elegendo algum representante daqui, mas infelizmente Tamoios continua vivendo uma situação complicada, sendo governada por Cabo Frio que simplesmente esquece que existimos na hora de apoiar e só querem saber da gente por causa do dinheiro mesmo.

5 - Acha que as mídias podem contribuir para a evolução de nossa sociedade, nos mais diversos segmentos, da cultura a política? Como se iniciou seu gosto e escolha pelo jornalismo?

Apesar de todas as dificuldades, eu sou apaixonada pelo jornalismo. Quando eu escolhi fazer a faculdade de jornalismo achava que iria mudar o mundo. Quando se é jovem achamos que podemos mudar o mundo. Eu fiz o jornalismo pensando nisso. Eu tive algumas experiências, pois quando eu escrevia aquilo ecoava e de certa forma conseguia ter uma resposta positiva do governo e da sociedade. Era algo que não tinha explicação. Hoje infelizmente isso se perdeu um pouco, mas como todo mundo é jornalista, todo mundo está fazendo fake news, falando o que bem entende, a mídia perdeu um pouco a força que tinha antigamente. Acredito que a sociedade tenha um pouco culpa disso. Se a sociedade continuasse dando valor ao jornalismo como deveria ser, teríamos mais força para cobrar, mais soluções. A gente consegue ainda. Acredito que temos o poder de ajudar a sociedade. Mas acho que poderia fazer mais, com a ajuda da sociedade inclusive. Acho que o jornalismo está aí, ele é forte, tem força e pode ajudar a melhorar o mundo.

6- Como surgiu e como se desenvolveu o projeto do Jornal Tamoiense? Qual foi a missão proposta para o Tamoiense?

O Jornal Tamoiense foi criado justamente com essa ideia que eu tinha de mudar o mundo. No caso mudar o meu mundo, que era Tamoios, onde estava vivendo. Foi criado para dar voz a população, buscar melhorias, ajudar a comunidade, esse foi o objetivo. Trabalhar com imparcialidade, ouvir todos os lados, dar voz a população. Essa missão continua até hoje, apesar de não ter mais o jornal impresso, a gente continua com espaço aberto para todo mundo falar e buscar melhorias para Tamoios

7- Na tecnologia atual, com o surgimento das redes sociais, ainda há espaço para a mídia jornalística impressa?

Eu sofri muito quando encerrei o jornal impresso, devido ao custo muito alto e você ter um projeto desse porte, sem nenhum apoio extra não é fácil. Infelizmente muitos tem um apoio político. Mas quando você quer fazer um trabalho sério, imparcial, se torna mais difícil manter um jornal impresso. Eu sofri muito quando tive que encerrar. Mas não mudou meu pensamento. Mesmo nas redes sociais eu faço um trabalho sério, apurando tudo, lutando contra notícias falsas o tempo todo, porque infelizmente uns pseudos jornalistas tem muitas notícias falsas, notícias que não são apurada, verificadas se são verdadeiras ou não. Brigo muito para mudar isto. Graças a Deus o Tamoiense ainda é uma referência de notícia séria e queremos manter isso pelo resto da vida, seja no impresso, seja no site, seja em redes sociais, vamos brigar para que a notícia verdadeira seja mantida e não se perca no meio das fake news.

8- McLuhan teorizou que uma nova tecnologia sempre mata a tecnologia anterior. Acredita que a visão tradicional do jornalismo está sendo substituída com o advento das novas tecnologias? Se houvesse a possibilidade de você mudar algo neste processo, o que você alteraria?

A mídia menor, a do interior, tem uma maior dificuldade para sobreviver, até porque a vida no interior é diferente. O comércio não tem uma arrecadação tão grande, que ajuda a manter o projeto. Porém temos um papel na sociedade muito importante que é dar voz ao que a grande mídia muitas das vezes não consegue enxergar, pois estamos bem pequenos. A mídia local tem este papel, inclusive meu TCC foi sobre a jornalismo local e a importância que ele tem. Eu acredito muito que é possível fazer um trabalho bom, mesmo num espaço menor. A questão é se adequar mesmo. Eu sofri muito para migrar para a internet. Hoje estamos só nas redes sociais e isso não muda o fato de nosso trabalho ser realizado da mesma forma, com seriedade. Acredito que as novas tecnologias estão aí e teremos que usar, mas isso não mata o que já temos, como a televisão, o rádio, o jornal impresso. Eu vou sempre defender isso porque gostaria muito de voltar, se eu tiver a oportunidade, de voltar com o jornal impresso, mas independente disso iremos continuar a fazer um bom trabalho.

9- Qual o recado que daria para a sociedade de Tamoios e de Cabo Frio como um todo, para podermos evoluir como povo, como sociedade, como gente?

O recado que eu daria para a sociedade de Tamoios e Cabo Frio, não acredito que seja como um todo, porque eu ainda tenho certa dificuldade, assim como muitas pessoas, de entender que nós somos cabo-frienses, assim como os cabo-frienses de entenderem que Tamoios faz parte de Cabo Frio. Já que somos um todo, precisamos estar juntos, caminhar juntos, porque a emancipação é um sonho difícil de realizar e enquanto isso não acontece precisamos trabalhar pelo agora. Não dá mais para Tamoios ficar do jeito que está. A gente precisa, nós como população, precisamos cobrar mais ação do poder público e Cabo Frio precisa entender que também precisam da gente. Precisam olhar por nós. Acho que é um acordo onde todos precisam se ajudar.

   

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