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Transexual é retirada à força de banheiro feminino em Araruama

Mulher trans se revolta ao ser retirada de banheiro feminino em Araruama

A transexual Dany Coluty registrou indignada o momento em que agentes da Guarda Municipal de Araruama, a expulsaram de um banheiro feminino na praça Antônio Raposo, no Centro. Ela disse que foi algemada e retirada à força. No vídeo, uma mulher aparece discordando da atitude dos guardas.

Dany, que é rainha de bateria de uma escola de samba na cidade, disse que é conhecida na região e que nunca passou por uma situação dessas. Ela conta que saiu de casa para ir ao mercado e, no caminho, entrou no banheiro feminino para tirar uma foto no espelho sendo surpreendida pela ação dos agentes.

"Nunca fui tão constrangida na minha vida. Foi uma situação horrível. Total despreparo dos agentes", conta ela.

Segundo ela, primeiro entrou uma guarda municipal pedindo para que ela se retirasse do banheiro alegando que ela não era uma mulher. Dany se recusou e, logo depois, entrou um outro guarda municipal, agindo de maneira mais grosseira.

"Disse que eu não deveria estar no banheiro feminino por ser homem, me agrediu e deu empurrões", contou ela, dizendo ainda que entraram em luta corporal tendo perdido duas mechas do cabelo.

Ela falou que foi levada na viatura da GM até a delegacia, onde os agentes registraram ocorrência de desacato à autoridade. Nesta quarta-feira (18) Dany voltou à delegacia para retificar o registro da ocorrência, e inserir as acusações de que foi agredida. Ela também realizou exame de corpo de delito.

O vídeo do incidente já ultrapassa 23 mil visualizações nas redes sociais. Dany disse que tem recebido diversas mensagens de apoio e solidariedade.

O uso do banheiro feminino chegou a ser discutido pelo Supremo Tribunal Federal (STF). Em 2015, os ministros Luís Roberto Barroso e Luiz Edson Fachin chegaram a votar a favor do direito de transexuais usarem banheiros conforme sua “identidade de gênero”, ou seja, como se percebem (homem ou mulher), independentemente do sexo a que pertencem. Na ocasião, o julgamento foi interrompido por um pedido de vista.

Troca de nome

Dany conta que o processo de troca de nome foi iniciado esse ano, mas que ela já possui documento com o nome de mulher, como título de eleitor. De acordo com uma decisão do Supremo Tribunal Federal (STF), de fevereiro de 2018, todo cidadão tem direito a escolher a forma como deve ser chamado.

O Tribunal Superior Eleitoral (TSE) e o STF afirmaram a humanidade, dignidade, cidadania e autonomia das pessoas transexuais e travestis, ao reconhecerem seu direito de soberana autodefinição de sua identidade de gênero.

 

 

 

 

 


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